10 anos de Carmina…

Oscar_Pereira_da_Silva_-_Moça_com_xale
Moça com xale, óleo de Oscar Pereira da Silva

Há dez anos atrás estava sendo lançado o Carmina e os vaqueiros do pequi (Santa Luzia, 2003, romance).

Romance de longo fôlego, uma história de amor, narrativa melancólica e alegre ao mesmo tempo, em que seu narrador, já aos cem anos, parte para a certeza da morte carregando consigo, junto com seus remorsos, a alegria de um amor que superou o tempo. Jacó falando da vida, ora chorando, ora entre suspiros, talvez com os olhos já tomados de glaucoma, mas feliz pelo que viveu.

Tive a honra de contar com um prefácio do professor Cid Teixeira (Um texto no tempo sem tempo) e com um texto de orelha de Elomar Figueira Mello (Brinco para uma orelha de Carmina). A edição foi do amigo, escritor e editor Hugo Homem e as ilustrações, do artista goiano Alex Romano.

A história me trouxe relativa projeção, um reconhecimento, não só junto aos pares, mas também boa críica. É como se dissessem “aqui há um escritor, uma dicção”. Algo a ser lapidado, claro.

Hoje, 2013,  admito que o texto, em si, reclama uma limpeza, o que chamaria de lipoaspiração textual. Uma narrativa que pede evolução dos seus signos de linguagem, justamente no intuito de ser melhor digerida pelos leitores. Por reconhecer isso, fico muito à vontade, também, para admitir que escrevi uma excelente história — com boa dose de digressões, surpresas, um fio narrativo envolvente e tocante .

Passado todo esse tempo, depois de alguma produção acadêmica, criação em roteiros de audiovisual e de algum suor derramado sobre o papel —  que resultou em Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012, contos e novelas) e em herói está de folga (Kalango Editora, contos), a ser  lançado em breve — resolvi dar uma paradinha para olhar para trás e comemorar o romance de 2003.

A 2ª edição, revisada e melhorada, para médio prazo é o que aponta no horizonte, em meio às publicações dos inéditos.

Dois trechos do Carmina e os vaqueiros do pequi:

…que a boa fortuna ou uma bramura, um estúrdio, um vaqueiro velho fuça dos longes… e pra toda boa ventura, pra todo conforto de alegria, hai um arrasamento de peso igual, talequal…pra toda roça hai um formigueiro… e pra toda paragem de sertão hai uma seca desacertada e infeliz….


… que o doutor é de vera um homem que possui estudos e possui diplomas mas não possui pra si uma verdade. É que o coração de um vaqueiro é um bicho que possui as vontades dele. Ele vive, esse um bicho, é grudado nos dentros dos peitos da gente; é feito um miúdo nosso mas não é; é um criaturo de opiniões dele que em quando quer um desejo é qual uma rês teimosa que ninguém não dobra; é o coração do vaqueiro. A gente quer pruma banda, ciente do certo e do viável, e o coração aposta nos impossíveis, no difícil da volta grande, nos idos contra o homem… que é assim o coração; gostador dos perigos e dos confusos decididos…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s