Uma saudade precipitada

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Corridor of light, by Magnus Mansake

Muitos dizem muitas coisas, mas, de fato, o dono da verdade era aquele velho avô, que, dada aquela confusão de flores, leite e bilhetinho, foi quem correu naquele dia no quartito do neto e, no que a porta demorou de abrir, pensou no pior e a forçou. Uma desordem reinava, mas uma desordem sem vida, algo sem a frequência de alguém, algo deixado. Um volume do tamanho do neto preenchendo a cama, mas uma coisa pintava o rosto do avô, como se não esperasse ver o menino ali. Uma saudade precipitada, talvez, uma sensação de desperdício e a implacável vontade de imaginar que deveria isso ou aquilo, ou que devesse se alegrar com a debandada do neto(…)”.

Dênisson Padilha Filho. A pin-up que caiu do céu, In O herói está de folga (Kalango, 2014, contos).

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