Menalton Braff: sobre “O herói…”

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O escritor e professor gaúcho, Menalton Braffem conversa com o blog falou um pouco sobre literatura e O herói está de folga (Kalango, 2014, contos)livro do qual escreveu o texto de apresentação. Confira abaixo:

Li os contos de O herói está de folga, do Dênisson Padilha Filho, e fiquei impressionado. São de alta qualidade literária. Ora, o texto do Dênisson é daqueles de que dá prazer participar. Por isso, quis estar junto, ser cúmplice de sua criação.

Apesar de nossos ambientes tão estranhos uns aos outros, os elementos propriamente literários acredito que nos aproximem. Coloco em primeiro lugar a qualidade da linguagem. Somos da mesma corrente que acredita em literatura como arte da palavra. Não no sentido, digamos, parnasiano do discurso, mas levando em conta a língua viva, em qualquer padrão e mesmo na norma culta. Acreditamos no texto fundante do Machado de Assis (o instinto de nacionalidade), em que afirma que o escritor deve ser permeável à língua de seu povo, mas deve lhe devolver a linguagem mais bem elaborada, posto que é escritor. Outro elemento que considero muito importante em se tratando de conto é a economia dos recursos. No conto não pode sobrar nada, e isso justamente foi o que encontrei nos textos do Dênisson. Mas há também a criação das personagens. A paciência na construção, o cuidado com que as personagens são construídas, o gosto da observação da alma humana, tudo isso me parece que nos aproxima.

Violência, paixões e outros sentimentos delicados, em consonância com um mundo rústico, segundo o texto de apresentação que escrevi para o livro. Sempre me pareceu que se pode tratar até mesmo do grotesco com delicadeza. Para expressar um mundo de violência, com personagens brutos, não há necessidade de a linguagem ser a expressão direta como espelho dos seres que pretende retratar. O escritor não é apenas um retratista que copia a realidade como ela é, usando a linguagem como expressão direta da realidade, isto é, como uma espécie de metalinguagem. O escritor é um artista e tem o direito de expressar as mais diversas situações de acordo com sua subjetividade. Isso não nega os que se opõem a tal pensamento, mas afirma um direito: o direito do artista de pintar mesmo o horror com as cores da sua alma. Foi isso que encontrei no Dênisson.

Menalton Braff nasceu no Rio Grande do Sul, fez pós-graduação (lato sensu) em Literatura Brasileira, na Universidade São Judas Tadeu, de São Paulo. Tem vinte e um livros publicados e um no prelo. Sua coletânea de contos À sombra do cipreste conquistou o Jabuti 2000 (livro do ano – ficção) e já foi finalista de vários prêmios, como o Jabuti (diversas vezes), Prêmio São Paulo de Literatura e Prêmio Portugal Telecom. Vive na região de Ribeirão Preto desde 1987, onde se dedica exclusivamente à literatura.

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