Mesma coisa

escravas-sexuais-interna

 

Mesma coisa’ é um harém no Estado Islâmico, parado no tempo, repleto de escravas brancas, todas de véu. ‘Mesma coisa’ é um genocídio de formigas num prato de brigadeiro. Uma chuva de postagens comemorando um pênalti pra fora.

Um engarrafamento pra punir pelo pão e circo exagerados. ‘Mesma coisa’ é sua vizinha acordar e lhe dar bom dia com o sorriso mais autômato da década; e você dizer de volta bom dia, também com hálito de plástico. ‘Mesma coisa’ é seu dente cair no meio da noite e nenhuma fada bondosa lhe conferir um Real por isso; porque as fadas não visitam os velhos. ‘Mesma coisa’ é uma chamada perdida; você retorna, mas foi engano. Você desce a rua na direção do bar, mas as estrelas, os carros, os cachorrinhos, todos lhe olham e sabem que você sua nas mãos. Isso sim, é ‘mesma coisa’. ‘Mesma coisa ‘ é sua morte gradual porque mais quinhentos anos de barbárie são uma dose pesada demais pro seu coração seiscentista.

O escândalo se repete como farsa, a farsa, como filme, réptil anacrônico, saliva ácida. Isso é ‘mesma coisa’. ‘Mesma coisa’ é, ‘tudo bem, não me importo’, ou ‘me conte, como foi seu dia?’. O relógio descartável, metáfora do seu tempo em vão. A estudante que rebola diante do deputado, ‘mesma coisa’, mas ele não pode ter ereção porque está na comissão de ética. ‘Mesma coisa’ é seu gato dormir quase 20 horas por dia, e você pensar que isso é dos felinos, jamais achando que ele faz isso pra te evitar ao máximo. ‘Mesma coisa’ é uma rajada de tiros matar a fera menos perigosa.

As cores do céu, o ar marinho espatifando a esperança nas pedras. Isso é ‘mesma coisa’. ‘Mesma coisa’ é a vitória intangível que seu corpo busca. Os cavalos da culpa trotando em seu juízo. E depois, o banquete não é mais promessa, mas sim ameaça, mesma coisa.

As tempestades mais belas, os ciclones perfeitos não visitam mais a costa, porque tudo é a ‘mesma coisa’. E Deus agora finge dormir, porque não aguenta o meu, o seu lamentoso diário. ‘Mesma coisa’ é essa mania de felicidade lhe açoitando os ombros. Sua musa fugidia lhe cobrando alegria de atleta, ou que você extermine os lobos que moram no poema. ‘Mesma coisa’ é um conto de Onetti lhe despertar ânsia de suicídio e de repente você descobrir que tudo não passa de literatura, esse folguedo sádico crivado de mesma coisa.

Anúncios

Um comentário sobre “Mesma coisa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s