Onde rabiscar os sonhos

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“Na verdade, queria que minha tia, primos e demais parentes vissem em mim a criança, ainda sentada na calçada, riscando boizinhos de giz; quando de fato essa criança se foi com a cidade velha. O sócio, os caminhões quebrados, o quartinho dos fundos da madeireira e as professoras que iam e vinham estavam aí para deixar isso bem claro. Cada risada alta que davam nas rodadas de bebida no Flamboiã, elas e toda sua vontade de hegemonia e de mover o mundo; cada linha de expressão nos rostos, cada poro cintilante que se iluminasse quando amanheciam em minha cama não significavam nada, senão a verdade de que não havia mais infância, não havia mais calçadas onde rabiscar os sonhos”.

Dênisson Padilha Filho. Em Eram olhos enfeitados de Sol (Editora Penalux, 2017, novela).

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