Segundo Luís Pimentel…

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Eram olhos enfeitados de Sol (Editora Penalux, 2017, novela) traz um texto de orelha feito pelo consagrado e premiado escritor Luís Pimentel*.

No texto, Pimentel cita retornos, desencantos, durezas da vida; fala também sobre a poesia e a concisão que marcam a novela a ser lançada, em Salvador, em julho.

Leia abaixo o texto completo.

Por que partimos um dia? Cada um de nós, por um motivo; alguns pela falta deles. E por que retornamos ao ponto de partida? Pode ser por um sonho, um desencanto, para continuar vivo ou mesmo para morrer em casa. Ou, até, para receber a benesse ou o fardo de uma herança (aqui, uma madeireira) e cruzar com uma moça vinda da neblina, entre uma genebra e outra, num bar chamado Flamboiã.

“No dia em que cheguei fazia um sol acanhado”, diz o cavaleiro errante de Dênisson Padilha Filho em sua volta às origens, sem esperar boas-vindas. Como ele muito bem sabe, “a gente nunca volta o mesmo que foi”. No coração deste texto, o sol dos dias e dos olhos parece nublar a visão dos personagens e do leitor, sem prejuízo da imaginação. Trata-se de mais um DPF em estado cru, cavoucando novamente na terra seca da literatura com maestria e coragem.

“Minha filha, aos oito anos, desolada, chora de joelhos. Estou preso à cama e só meus olhos se movem”. A linguagem desta novela é assim: coloquial, misteriosa, enxuta a mais não poder. É a linguagem de Dênisson, um autor que já provou que a ficção – contos, novelas, romances – é a sua poesia, no sentido mais nobre e profundo da criação literária.

Em Eram olhos enfeitados de Sol, luzes se descortinam e revelam a dureza da vida, o sal da terra, o olhar indiferente mesmo quando coberto de carinho ou irremediavelmente cerrado. “No corpo do meu filho, todos os olhos da cidade estão mortos”, diz o narrador, se referindo ao filho longe. A cidade onde se debatem essas personagens é igualzinha àquela onde vivemos, onde quer que estejamos neste momento. Mas disso a gente não precisa saber, para não fechar os olhos antes da hora.

Luís Pimentel, escritor.

O lançamento de Eram olhos enfeitados de Sol (Editora Penalux, 2017, novela) em Salvador será em julho, em data e local a serem divulgados.

*Luís Pimentel é jornalista e escritor. Trabalhou em diversas redações de jornais e revistas do Rio de Janeiro, foi autor-roteirista de programas de humor para a TV, e tem livros publicados em variados gêneros (contos, poesia, infanto-juvenil, textos de humor e sobre personagens ou aspectos da música brasileira), por diversas editoras.  Por sua obra literária já recebeu vários prêmios nacionais, como o Concurso Literatura Para Todos, do MEC, e o Cruz e Souza, da Fundação Catarinense de Cultura. Alguns títulos, para adultos: Aquela música (Contos, Myrrha, 2016), Contos da vida absurda (Casarão do verbo, 2014), Que assim seja (Poesia, Mondrongo, 2016), Grande homem mais ou menos (contos, Bertrand Brasil, 2007), Cenas de cinema, conto em gotas (Myrrha, 2011) e O calcanhar da memória (Bertrand Brasil, 2006). Infanto-juvenis: Neguinho brasileiro (Pallas), O meu lugar nas 4 linhas (Moderna), Todas as cores do mar (Global), Bié conhece a fazenda (Alfaguara) e O gandula que comeu a bola (Dimensão). Baiano, do sertão, tem 63 anos e mora no Rio de Janeiro.
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